sexta-feira, 22 de setembro de 2017

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Acidente radiológico com o césio-137 completa 30 anos

Vítimas, com sequelas, sofrem com o descaso e o abandono até hoje
O acidente aconteceu após dois catadores de materiais recicláveis encontrarem um aparelho de radioterapia abandonado em uma antiga clínica de radiologia. Eles começaram a desmontar o equipamento em casa e, na sequência, o venderam a um ferro-velho, onde foi feita a descoberta do pó que brilhava à noite. Oficialmente, quatro pessoas morreram vítimas do pó azul radioativo, entre elas a menina Leide das Neves, de 6 anos, e outras 249 tiveram algum tipo de contaminação.

Nível de Contaminação
Chefe da divisão de rejeitos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e físico que identificou o acidente, Walter Mendes Ferreira, 64 anos, explica que o nível de radiação era tão alto em alguns pontos que não havia instrumentos na capital que pudessem mensurá-lo.
“As taxas eram extremamente elevadas, inadequadas para o convívio de qualquer ser humano, por isso foi evacuada toda a região”, avalia Ferreira.
De acordo com o físico, o tipo do solo da região é arenoargiloso e tem a característica de reter sal. Para ele, isto colaborou para que o césio não se espalhasse e ficasse em uma camada de 50 a 70 centímetros de profundidade.
“Após 50, 70 centímetros, não se encontrava nenhuma partícula de césio. Então, foi retirada a terra nesta faixa e, para que tivesse segurança, colocou concreto”, relatou.

A trágica história do acidente
O acidente começou no dia 13 de setembro de 1987, quando os catadores de recicláveis Wagner Mota Pereira e Roberto Santos encontraram o aparelho de radioterapia abandonado na sede do Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), que estava desativado. Eles levaram a peça de chumbo e metal, para a casa do Roberto, localizada na Rua 57, no Centro de Goiânia, onde começaram a desmontá-la.
No dia 18 daquele mês, eles venderam o equipamento a Devair Ferreira, que tinha um ferro velho na Rua 26-A, no Setor Aeroporto, e o desmanchou totalmente com golpes de marreta. Seis dias depois, Ivo Ferreira, irmão de Devair, foi visitá-lo e viu a pedra que brilhava durante a noite. Ele levou fragmentos para casa dele, localizada na Rua 6, no Setor Norte Ferroviário.

Durante esse período, Devair também cedeu fragmentos a Ernesto Fabiano, que os levou para sua casa, na Rua 17-A, no Setor Aeroporto. O material ficou retido na fossa e, por isso, nos estudos, o local ficou conhecido como “Casa da fossa”. Por sua vez, ele deu parte do césio ao irmão, Edson Fabiano, que levou o “presente” para a residência dele, localizada na Rua 15-A, no mesmo bairro.
Devair vendeu no dia 26 uma carga de recicláveis a Joaquim Borges, dono de outro depósito, na Rua P-19, no Setor dos Funcionários. Na ocasião, a mulher dele, Maria Gabriela jogou o aparelho em meio ao carregamento.
Ao notar que todos que tiveram contato com o material estavam se sentindo mal, no dia 28, a esposa de Devair foi, juntamente com o funcionário Geraldo Guilherme, ao ferro velho da P-19 para pegar a peça de volta e levá-la para a sede da Vigilância Sanitária Estadual, na Rua 16-A, no Setor Aeroporto, onde se descobriu do que se tratava e atualmente sedia o Centro de Atendimento aos Radio Acidentados (Cara).
Foi constatada a contaminação pelo césio-137 em 249 pessoas. Neste grupo, 129 tinham rastros da substância interna e externa ao organismo. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) calculou ainda que 49 pessoas foram hospitalizadas, sendo que 20 necessitaram de cuidados médicos intensivos.
Quatro pessoas morreram no período de quatro semanas. A primeira delas foi a menina Leide das Neves Ferreira, de 6 anos, que morreu em 23 de outubro de 1987.

Heróis não reconhecidos
Após 30 anos, vítimas revisitaram locais ligados ao acidente radiológico com o césio-137 e relembraram os momentos traumáticos que viveram em setembro de 1987. Muitos carregam até hoje sequelas, tanto físicas quanto psicológicas, após terem contato direta ou indiretamente com o material. Ouvidos pelo G1 da Globo, eles relatam que sofreram vários tipos de humilhações, como serem agredidos ao andar na rua, expulsos de ônibus e até "lavados como uma Kombi" no processo de descontaminação.
Trabalhando inicialmente com roupas comuns, do dia a dia, achavam que desempenhariam uma tarefa rotineira.
Assim como outras dezenas de vítimas, funcionário do então Consorcio Rodoviário Intermunicipal S.A. (Crisa), que ficava na Avenida Portugal, no Setor Oeste, em Goiânia. Muitos foram mandados, inclusive sem o material de proteção adequado, em um primeiro momento, para os vários pontos por onde o material radioativo passou. Esses trabalhadores recolhiam todo o tipo de rejeito.
Confira na matéria do G1 da Globo o drama que essas pessoas ainda vivem, no descaso, no abandono.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Gisele Bündchen, a mãe natureza.


Nosso planeta passa por uma grande dificuldade, a humanidade. O ser humano evoluiu para se autodestruir, a indústria foi a arma que lançou o meio ambiente no caos.
Porém, a natureza sempre encontra um equilíbrio, a natureza evolui as espécies para retomar aquilo que sempre foi. Por isso nascem aqueles que lutam pelo ambiente e pela própria humanidade.
Humanos evoluídos pela natureza para equilibrar. Mas transformar o caos em equilíbrio leva tempo, gerações.
Em meio a essa luta nasceu um ser humano, mais expecífico, uma mulher. A fama transforma e expõe pessoas, muitos usam isso para benefício próprio, ou de interesse de poucos, mas essa mulher foi além.
A mais famosa modelo mundial Gisele Bündchen é essa mulher, humana. Que usa sua fama, sua imagem e acima de tudo sua atitude em prol do meio ambiente e da humanidade. Um espírito iluminado, evoluído que nasceu no meio do caos, para lutar pelo equilíbrio.
Gisele Bündchen, a mãe natureza.

"A Floresta Amazônica ajuda a manter o equilíbrio para que a vida possa continuar em nosso planeta. É nosso dever protegê-la. Nossa vida depende da saúde do nosso planeta."
#somosum
#todospelaamazonia

"VERGONHA!Estão leiloando nossa Amazônia! Não podemos destruir nossas áreas protegidas em prol de interesses privados"

"É nosso trabalho proteger nossa Mãe Terra. @MichelTemer, diga NÃO para reduzir a proteção na Amazônia!"

Não é só o Brasil que precisa se preocupar com a Amazônia, é o mundo todo, #TudoPelaAmazonia vamos ajudar @gisele


WWF apresenta 381 novas espécies de plantas e animais na Amazônia

216 novas espécies de plantas; 93 de peixes; 32 de anfíbios; 19 de répteis; uma ave; 18 mamíferos; e dois mamíferos fósseis.

"A Amazônia tem muitas lacunas de conhecimento. É uma área de difícil acesso em que muitas pessoas não conseguem chegar. Existem muitas espécies para serem descobertas ", diz Fernanda Paim, pesquisadora do Instituto Mamirauá, que fez o estudo em parceria com a WWF.

Relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) divulgado nesta quarta-feira, 30, em São Paulo apresenta um compilado de 381 novas espécies de plantas e de animais vertebrados da floresta Amazônica. Os dados foram coletados entre os anos de 2014 e 2015 em bases de dados de revistas científicas.
Pássaro Tolmomyias sucunduri
Foram catalogadas: 216 novas espécies de plantas; 93 de peixes; 32 de anfíbios; 19 de répteis; uma ave; 18 mamíferos; e dois mamíferos fósseis. Os números indicam que por volta de uma nova espécie de ser vivo foi descoberta na Amazônia a cada dois dias. Algumas das espécies estão listadas abaixo.
(Fotos: WWF)

Plantas
☙ lanta Guatteria amapaenses - descoberta no Amapá na rodovia ‘Perimetral Norte’. Sem coordenadas.
☙ Planta Heteropsis reticulata - descoberta no Acre, no município de Cruzeiro do Sul.
☙ Solanum arenicola - É uma das quatro novas espécies da família Solanaceae descritas para a América do Sul. A espécie está relacionada ao grupo do tomate e batata.

Pássaro Hypocnemis rondoni
Pássaros
- Tolmomyias sucunduri - Pequenina ave que vive em pares, seu nome é originário do grego e significa “papa-moscas ousado do Sucunduri”. Sucunduri, no município de Apuí, Amazonas, Brasil, é a região onde foi encontrado.
- Hypocnemis rondoni - Pequena ave com cores bem distintas, o nome do cantador-de-rondon foi dado em homenagem ao antropólogo, explorador e indigenista brasileiro, Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.

peixe Potamotrygon limai
Peixes
- Laimosemion ubim - Foi encontrado na Amazônia Central na margem de um igarapé raso de terra firme e de água preta. Quando adulto, este peixe alcança cerca de 1,8 cm e exibe várias características reduzidas. Os machos apresentam um padrão único de coloração, com pontos vermelhos e azuis pálidos dispostos irregularmente no meio do flanco.
- Potamotrygon limai - Arraia de água doce, a limai foi encontrada no estado brasileiro de Rondônia, no rio Jamari, bacia do alto rio Madeira, até então era confundida com outra do mesmo gênero.
- Maratecoara gesmonei - Este peixe foi encontrado em uma poça temporária com cerca de 50 cm de profundidade em uma ilha fluvial no médio rio Xingu, estado do Pará, Brasil.

Macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo
Mamíferos
- Inia araguaiaensis - Essa nova espécie de boto só foi descrita recentemente, em 2014, graças à análise de carcaças encontradas em um lago da bacia do rio Araguaia.
- Macaco zogue-zogue-rabo-de-fogo - Plecturocebus miltoni - Descoberto em dezembro de 2010, no noroeste do Mato Grosso, a publicação do artigo científico foi concluída em 2014. O nome "rabo de fogo" é inspirado na sua longa cauda avermelhada. Já a alcunha científica foi dada em homenagem ao cientista Milton Thiago de Mello, em reconhecimento a sua contribuição à primatologia.

Inia araguaiaensis novo mamífero aquático
Anfíbios
- Pristimantis jamescameroni - Perereca de cor laranja, foi encontrada na Venezuela.
- Pristimantis imthurni - "Reluzente como ouro esse sapo foi descoberto em 2014 na região dos tepuis venezuelanos.
- Tepuihyla obscura - Descrito em 2015 para a região do Pantepui, nos tepuis venezuelanos. Esta rã é de hábito noturno. Durante o dia é fácil encontrá-la nas bromélias.
- Microcaecilia marvaleewakeae - é uma nova espécie de cobra-cega descrita em 2013 no Brasil. Esta espécie foi nomeada em homenagem ao professor Marvalee H. Wake, do Departamento de Biologia Integrativa da Universidade da Califórnia, Berkeley.
- Scinax villasboasi - A espécie de perereca foi descrita em 2014 na Serra do Cachimbo, extremo leste da Floresta Amazônica, estado brasileiro do Pará, em um fragmento de área aberta em meio à floresta.

Pássaro Poiaeiro-de-Chico Mendes
Répteis
- Epictia vanwallachi - Nova espécie endêmica das florestas secas do Peru, descrita em 2015, na região de "La libertad".
- Plica kathleenae - Lagarto corredor de tronco de árvores. Seu nome foi uma homenagem a Kathleen Kelly, pesquisadora da Divisão de Anfíbios e Répteis do Field Museum of Natural History por seu interesse e esforço em nome da herpetologia.
- Anolis peruensis - No Peru, a um pouco mais de 2 km de distância do município de Esperanza, na província do Amazonas, foi localizada essa nova espécie de lagarto, descrita só em 2015.
- Stenocercus albolineatus - Esse lagarto, descoberto em 2015, foi localizado no estado brasileiro do Mato Grosso e ocorre numa área que tem um grande planalto de arenito.
- Rondonops xanthomystax - Espécie descoberta em 2015 na região do rio Abacaxis, no estado do Amazonas. Sua ocorrência se estende até o rio Tapajós, sudoeste do Pará, ambos no Brasil.
- Epictia antoniogarciai - Cobra descoberta em 2015 na província de Jaén, no Peru. Da família de cobras cegas Leptotyphlopidae, esses animais possuem olhos rudimentares e passam a maior parte do tempo enterradas no solo ou embaixo de pedras.
Fonte da Matéria: G1 da Globo.com

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

30% das cidades do Brasil têm planos municipais de saneamento

A partir de 2018 plano será requisito para que cidade tenha acesso a recursos federais

Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados em janeiro deste ano e referentes a 2015, mostram que cerca de 34 milhões de brasileiros não possuem acesso a água potável. Além disso, apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso a coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios.

Segundo o levantamento da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, ligada ao Ministério das Cidades, das 5.570 cidades brasileiras, apenas 1.692 (30,4%) declararam ter feito seus planos municipais. Outras 37,5% das cidades estão com os planos em andamento. Além disso, 2% das cidades apresentaram inconsistências nos dados, e não há informações sobre 29,9%.
Os planos estão previstos na Lei 11.445 de 2007, conhecida como a Lei do Saneamento Básico. A legislação prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água e de tratamento da rede de esgoto no país, sendo que um dos principais pilares é a elaboração de um plano municipal do setor para cada cidade.


Além da importância de estabelecer metas e diretrizes para o saneamento local, o plano municipal é importante porque a sua existência será condição para o acesso da cidade a recursos federais na área de saneamento.
Por conta das dificuldades, os prazos estabelecidos para as prefeituras elaborarem os planos foram prorrogados, passando de 2013 para 2015 e, posteriormente, para 31 de dezembro de 2017. Isso quer dizer que, caso este prazo não seja prorrogado novamente, ter o plano será condição de acesso aos recursos federais de saneamento a partir de 2018.

Veja a matéria completa e o que diz Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil ao G1 da Globo

terça-feira, 18 de julho de 2017

Ministério do Meio Ambiente abre cursos na área ambiental

Inscrições gratuitas deverão ser feitas até 28 de julho. Formações serão a distância em temas como água, agricultura familiar e clima.

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) abrirá, a partir desta segunda-feira (17/07), as inscrições para cursos a distância nas áreas de recursos hídricos, agricultura familiar, mudança do clima, produção e consumo sustentáveis, unidades de conservação, igualdade de gênero e outros temas.

Confira os detalhes de cada curso

Os interessados devem se cadastrar no ambiente virtual do MMA  até o dia 28 de julho e escolher um ou mais cursos, que serão realizados sem tutoria. A efetivação da inscrição está condicionada à oferta de vagas. Até o fim do ano, serão abertas 40 mil vagas, incluindo turmas fechadas, realizadas por instituições parceiras.

Segundo a diretora de Educação Ambiental do MMA, Renata Maranhão, os cursos abordam aspectos essenciais das principais políticas públicas do MMA. “A ideia é que sejam desencadeados processos formativos continuados em todo o território nacional, voltados ao fortalecimento da gestão ambiental e ao enfrentamento das problemáticas socioambientais”, afirma.

O conteúdo produzido é livre, para uso público e pode ser disponibilizado para que instituições parceiras os ofertem em suas próprias plataformas Moodle.

HISTÓRICO

O MMA investe na customização de um ambiente virtual de aprendizagem e na elaboração de cursos de educação a distância. O objetivo é permitir o acesso a conteúdos socioambientais e materiais pedagógicos para utilização online e off-line. Já passaram pela plataforma cerca de 70 mil usuários.

Alguns cursos foram pensados e disponibilizados para recortes específicos de público e outros para ser ofertados de maneira livre, de maneira semipresencial, com apoio de instituições parceiras, a distância, com tutoria contratada ou voluntária e autoexplicativas (sem tutoria).

Os conteúdos disponibilizados se tornam subsídios e aportam ferramentas para o planejamento e a gestão de programas regionais e locais de Educação Ambiental.

Por WALESKA BARBOSA

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA): (61) 2028-1227 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

O que acontece agora com o iceberg que se deslocou da Antártida

Pra onde ele vai? Poderá elevar o nível dos mares? Oferece algum risco?
Após meses de expectativa, iceberg maior que o Distrito Federal se descola da Antártida




O bloco gigante de gelo tem 6 mil km², uma área maior que a do Distrito Federal. O novo iceberg provavelmente está entre os dez maiores já registrados por um satélite.
Um satélite americano observou o iceberg na quarta-feira enquanto passava por uma região chamada de plataforma de gelo Larsen C, na Antártida.

Os cientistas já esperavam pelo acontecimento, já que eles monitoravam o avanço de uma enorme fenda na plataforma há mais de uma década.
Em maio, os satélites Sentinel-1 da União Europeia haviam registrado uma curva na fenda da Larsen C, indicando uma possível mudança de direção.
Agora que se desprendeu, o enorme bloco deve se afastar gradualmente da plataforma de gelo.
"Isso não deve acontecer rapidamente porque o Mar de Wedell é repleto de gelo, mas tenho certeza de que será mais rápido do que todo o processo de ruptura dos últimos meses. Tudo dependerá das correntes e dos ventos", explica Adrian Luckman, professor da Universidade de Swansea, no Reino Unido.
A Larsen C é a maior plataforma de gelo no norte da Antártida. As plataformas de gelo são as porções da Antártida onde a camada de gelo está sobre o oceano e não sobre a terra.
Segundo cientistas, o descolamento do iceberg pode deixar toda a plataforma Larsen C vulnerável a uma ruptura futura.

A plataforma tem espessura de 350 m e está localizada na ponta oeste da Antártida.
Os pesquisadores vinham acompanhando a rachadura na Larsen C há muitos anos. Recentemente, porém, eles passaram a observá-la mais atentamente por causa de rupturas das plataformas de gelo Larsen A, em 1995, e Larsen B, em 2002.
No ano passado, cientistas afirmaram que a rachadura na Larsen C estava aumentando rapidamente.
Mas, em dezembro, o ritmo aumentou a patamares nunca antes vistos, avançando 18 km em duas semanas.

Aquecimento global
Os cientistas dizem, no entanto, que o fenômeno é geográfico e não climático. A rachadura existe por décadas, mas cresceu durante um período específico.
Eles acreditam que o aquecimento global tenha antecipado a provável ruptura do iceberg, mas não têm evidências suficientes para embasar essa teoria.
No entanto, os cientistas permanecem preocupados sobre o impacto do descolamento desse iceberg do restante da plataforma de gelo, já que a ruptura da Larsen B, em 2002, ocorreu de forma muito semelhante.
A expectativa dos cientistas é de que a recém separada plataforma se movimente pouco nos próximos anos.
Mas, novas rupturas na plataforma podem acabar dando origem a geleiras que, em vez de permanecer na região, rumariam ao oceano. Uma vez que esse gelo derrete, afeta o nível dos mares.
Ainda há poucas certezas absolutas, contudo, sobre uma mudança iminente no contorno da Antártida.
Fonte: BBC

Mas, e agora? Pra onde ele vai? Poderá elevar o nível dos mares? Oferece algum risco?
De acordo com os pesquisadores do projeto Midas, da Universidade de Swansea (Reino Unido), que acompanha o iceberg de perto, o bloco de gelo não aumentará o nível do mar imediatamente.
No entanto, se a plataforma continuar perdendo sua área, isso pode resultar na separação de geleiras do continente rumo ao oceano, o que impactaria o nível do mar, ainda que em um índice moderado.

A separação do iceberg da plataforma Larsen C reduziu sua área em 12% e transformou a paisagem da Península Antártica para sempre.
Ainda que a plataforma continue a crescer naturalmente, os pesquisadores haviam previsto antes que a nova configuração é potencialmente menos estável do que aquela antes da fenda - e há o risco de que a Larsen C siga o modelo de sua vizinha, Larsen B, que se desintegrou em 2002 depois de uma fenda parecida.

"O movimento dos icebergs é controlado principalmente pelos ventos presentes na atmosfera e pelas correntes oceânicas que empurram o bloco de gelo que está abaixo da superfície da água", disse à BBC Mundo Anna Hogg, especialista em observações de satélite da Universidade de Leeds, no Reino Unido.
No entanto, isso também será determinado pela simetria do leito marinho.
"As grandes fendas topográficas, como por exemplo as pequenas montanhas no fundo do mar, podem ser suficientemente altas de forma que façam com que o iceberg permaneça no mesmo lugar por um tempo", diz Hogg.
Se nada o detiver e se ele começar a se mover, dará início a uma viagem ao redor do continente antártico, impulsionado pela corrente litorânea que gira em sentido anti-horário durante o ano inteiro.
Se ele chegar à ponta da Península Antártica, "continuará viajando até o norte, na direção da Passagem de Drake, de onde se dissipará", explica a especialista.
Esse processo pode demorar meses ou mesmo anos.
"Como outros volumes de gelo semelhantes, ele levará um bom tempo para derreter, independentemente de estar em águas frias ou mais quentes", diz Hogg.

Existe Perigo?
Os cientistas não sabem exatamente onde ele chegará, mas normalmente os icebergs não costumam chegar a uma zona habitada.

E, à medida que ele se desloca para o norte, irá se dividir em fragmentos menores que podem continuar viagem em diferentes direções e de acordo com as forças que atuam sobre eles.
Quando sair de perto do continente antártico, é importante ficar no seu encalço, já que o iceberg pode se tornar um perigo para os marinheiros.
Agora não há perigo - em meio ao inverno no hemisfério sul - mas haverá durante o verão antártico: mesmo que a península esteja fora das rotas comerciais mais importantes, é o principal destino turístico de cruzeiros provenientes da América do Sul.
Enquanto o iceberg se mantiver como peça única, ou várias peças grandes, ele é menos perigoso, já que podemos vê-lo à distância. Quando se despedaçar, a situação piora, já que é difícil estimar, da superfície, quanto gelo está submerso na água.

Poderá chegar em Geórgia do Sul?
Muitas vezes, pedaços grandes de gelo vão parar na plataforma de gelo superficial que cerca a ilha de Geórgia do Sul, a cerca de 1.390 km a leste-sudeste das ilhas Malvinas/Falklands.
Ao chegar ali, os icebergs liberam bilhões de toneladas de água doce no ambiente marinho local.
Segundo pesquisadores britânicos, esses pedaços gigantes de gelo têm um impacto dramático no local e podem até alterar os ciclos de alimentação dos animais que habitam a ilha.
A esta ilha, por exemplo, chegou o iceberg A-38 em 2004.
"A água doce tem um efeito mensurável na estrutura da coluna da água", disse Mark Brandon, oceanógrafo da Universidade Aberta, no Reino Unido.
"Muda as correntes na plataforma porque muda a densidade da água do mar. E também baixa a temperatura da água".
O pó e os fragmentos de pedra que o iceberg traz da Antártica atuam como nutrientes quando se derretem no oceano e aumentam a produtividade das algas e das diatomáceas na base da cadeia alimentar.

Mas, na Geórgia do Sul, esses pedaços de gelo podem ter um impacto negativo ao atuar como barreira contra o fluxo de krill, uma fonte vital de alimento para muitos animais da ilha, incluindo pinguins, focas e pássaros.